Marcos José da Silva não quer que maçons da Comab visitem o Grande Oriente e vice-versa
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Por Hélmiton Prateado

O ex-Grão-Mestre-Geral do Grande Oriente do Brasil, potência maçônica mais antiga e com maior número de filiados do Brasil, conseguiu mais uma proeza para seu currículo. Ele anulou na Justiça Maçônica um ato do atual Grão-Mestre-Geral, o goiano Múcio Bonifácio Guimarães, que permitia que maçons do Grande Oriente pudessem visitar lojas da Confederação Maçônica Brasileira (Comab) e recebessem em suas lojas igualmente a visita de filiados a essa outra potêcia.
Na prática a coisa é vista como um ato de rebeldia dele para com o líder máximo – cargo que ele também já ocupou com mão de ferro – e uma afronta aos princípios de fraternidade, igualdade e liberdade que a Ordem prega. O imbróglio começou desde que no dia 1º de dezembro desse ano o Grão-Mestre-Geral Múcio Bonifácio mandou circular um edital oficial, chamada Prancha, para todas as lojas do Grande Oriente do Brasil elencando motivos para permitir que maçons filiados a sua potência visitem lojas da Comab espalhadas pelo País, exceto aquelas que estiverem em litígio judicial contra o GOB. Tudo dentro de princípios éticos e que criem condições de convergência de ideais maçônicos, sem paixões, sem sectarismos e olhando para frente, não mais no retrovisor.
O decreto do Grão-Mestre-Geral dizia ainda que a medida serve para aparar arestas e consolidar a “Maçonaria Regular em nosso País”, ressaltando que a intervisitação possa ser “profícua para a união” da maçonaria regular brasileira.
Foi o bastante para Marcos recorrer à Justiça Maçônica com argumentos pra lá de preconceituosos e reacionários. Ele fundamentou, entre outras coisas, que a Comab não é reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra, por isso inviabiliza a possibilidade dessa intervisitação. Ocorre que inúmeras Grandes Lojas do Brasil, como a de Goiás, Santa Catarina, Rondônia, Paraná e até do Alabama, nos Estados Unidos só conseguiram esse reconhecimento da Grande Loja inglesa na última semana. Nem por isso Marcos José deixou de visitar as Grandes Lojas espalhadas pelo país afora.
Mas, em se tratando da Comab, uma dissidência do Grande Oriente, assim como as Grandes Lojas, para ele se trata de maçonaria espúria, que precisa ser evitada, como se fossem leprosos e indignos de usar os paramentos maçônicos. A Comab foi criada em 1973 e as Grandes Lojas após um cisma ocorrido em 1927. Mas, a Comab é até maior que o Grande Oriente em alguns estados, como é o Rio Grande do Sul, onde a Comab tem entre seus quadros o vice-presidente eleito do Brasil, general Mourão. Em Goiás a Comab também surgiu após uma desavença criada em virtude da iniciação de um controverso quadro.

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Marcos José da Silva já protagonizou espetáculos igualmente conflitantes no Grande Oriente, como registrar na Biblioteca Nacional 21 livros que contêm os ritos secretos da Ordem. Muitos maçons se alvoroçaram na época dessa arte com medo de que os segredos caíssem nas mãos de profanos. Não satisfeito com o problema, ele fez o registro em nome próprio e não do GOB. Sob risco de ser impedido de governar ele precisou também recorrer ao Supremo Tribunal do GOB e gostou da iniciativa de usar de chicanas para fazer valer sua opinião.
Múcio Bonifácio é um gentleman, talhado para a diplomacia e de sorriso sincero com quem dialoga. Sua eleição, posse e gestão têm sido no sentido de promover a união do Grande Oriente com todos os demais maçons, mas precisa enfrentar percalços como esses e fazer valer mais a razão e menos as vontades e paixões.

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