Fotos: Cristovão / Drone
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Os lotes residenciais que ficam às margens do Córrego Botafogo sempre foram alvo de disputas entre os ocupantes e a Prefeitura de Goiânia sob a alegação de que foram invadidos. Realmente foram ao longo da história da capital e os moradores contaram com a conivência, a omissão e a concordância tácita dos administradores municipais.

Entretanto, há uma invasão em curso que significa uma poupança em dinheiro polpuda para quem resistir e conseguir se manter na posse dos imóveis. No trecho da Marginal Botafogo, logo no início para quem sai da Avenida Jamel Cecílio e se dirige rumo Norte, para os Setores Universitário e Centro, há lotes sendo ocupados de forma ilegal e que cada gleba invadida significará algumas centenas de milhares de reais incorporados aos imóveis contíguos no mesmo setor, na rua de trás.

Fotos: Cristovão / Drone

O trecho em questão já é velho conhecido do proprietário, o empresário Lourival Louza e da Prefeitura de Goiânia. Trata-se da famosa Quadra 51, do Jardim Goiás, que foi ocupada há mais de 30 anos por famílias que chegaram e foram cercando, construindo e habitando o local sem que fossem tomadas medidas efetivas para sua desocupação. A rigor todo o Jardim Goiás pertencia ao empresário Lourival Louza, que deixou tudo de herança para seu filho Lourival Louza Júnior, que fez de uma fazenda considerada refugo um império imobiliário e financeiro.

Louza Júnior é dono do Shopping Flamboyant, o pioneiro dos centros de compras da capital, o maior e o mais badalado de Goiânia.

Enquanto os invasores se valiam das áreas de Louza eles ficaram meio que esquecidos e sem ser importunados. Mas, com a construção da Marginal Botafogo e o monumental aumento do fluxo de veículos na via, que se tornou uma das principais artérias do trânsito de Goiânia a coisa mudou de figura. Os lotes já haviam sofrido valorização considerável com as melhorias no setor, mas com a Marginal os preços foram catapultados para a estratosfera e a municipalidade não pretende declinar dos terrenos valorizados.

Mesmo que não sirvam para outra destinação os lotes não podem ser invadidos por fazerem parte da faixa de domínio público e por comporem a área de preservação e permeabilidade que os cursos d’água exigem. Um outro trecho da Marginal Botafogo, na Rua 200, Vila Nova, os proprietários invadiram o fundo de seus lotes também. Só que lá o Poder Público agiu a tempo e com uma ação o Ministério Público conseguiu uma sentença mandando desocupar todos os lotes ocupados irregularmente.

A Prefeitura de Goiânia mandou notificar todos os ocupantes da Quadra 51 no ano passado. Uma moradora que já havia até construído uma boa casa no local foi instada a não prosseguir. Quando achou de edificar um muro e cercar a casa tudo ruiu: os fiscais mandaram desocupar o terreno e demolir a edícula. Somente nesse terreno é possível avaliar o que está em jogo. O terreno mede cerca de 1.200 metros quadrados. Se for considerado que o preço médio do terreno nessa área do Jardim Goiás está em média 3.000,00 o metro quadrado, a grilagem chegaria a render R$ 3,6 milhões para a posseira urbana. Nada mal para justificar uma disputa por um pedaço de terra urbano.

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