Pacientes de Padre Bernardo, distante 180 quilômetros de Jaraguá, buscam recursos para cirurgias no HEJA

Por Hélmiton Prateado

O Hospital Estadual de Jaraguá Dr. Sandino de Amorim (HEJA) está se tornando uma referência em atendimentos para a população do interior de Goiás. Secretarias de Saúde de cidades distantes têm conseguido inserir pacientes no sistema de regulação e colocá-los na lista de cirurgias eletivas no HEJA, o que provocou uma redução drástica na lista de espera por procedimentos.
Desde que a unidade foi repassada para a administração do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) a rotina dos serviços entregues à população mudou substancialmente. A população passou a procurar mais a unidade, houve um incremento sensível no nível de confiança e aprovação junto aos usuários e até a auto-estima de pacientes e colaboradores aumentou.
Com um centro cirúrgico que funciona em sua plenitude o HEJA tem servido a um grande número de cidades que recorrem ao complexo de regulação para mandar seus pacientes em busca de cirurgias eletivas. Com isso o volume de procedimentos aumentou exponencialmente e as filas de espera para cirurgias como hérnias, esterectomias e outras necessidades diminuíram muito.

Priscila de Castro Ribeiro, coordenadora do NIR

A coordenadora do Núcleo Interno de Regulação do HEJA, Priscila de Castro Ribeiro Trindade, explica que a unidade atende prioritariamente oito municípios da Regional II do Vale do São Patrício. Isso engloba cidades com regiões distintas e distantes como Padre Bernardo e Mimoso de Goiás, que ficam a mais de 200 quilômetros e ainda há um acréscimo quando a Macro Região é inserida no processo. “Chegamos a atender pacientes de até 60 municípios que pedem vagas para cirurgias que normalmente seriam demoradas para conseguir inclusão em Goiânia ou outros centros maiores”, comenta.
Todas as semanas pacientes de Padre Bernardo, cidade a 180 quilômetros de Jaraguá, acorrem para a cidade em busca de soluções para cirurgias. Padre Bernardo faz parte da Região do Entorno de Brasília e tem pouca identificação com o interior de Goiás, principalmente com o Vale do São Patrício. O aposentado Juvenil Ferreira Lopes, 81 anos, madrugou para chegar a tempo de consultar com o médico que iria encaminhá-lo para correção de uma hérnia. O hospital na sua cidade passou por um processo grave de foco de infecção e foi interditado. Agora conseguem regular pacientes para Jaraguá. Ele e outras duas pessoas foram enviadas para Jaraguá e aprovam a medida de buscar alternativas. “Além disso, o pessoal daqui é muito atencioso com a gente e o tratamento é especial”, frisa.
Filas zeradas
Outra cidade que manda pacientes em profusão para Jaraguá é a distante Aragoiânia, na Região Metropolitana de Goiânia. E são grupos numerosos, de até 10 pessoas de cada vez que são levadas em vans cedidas pela Prefeitura e sob a supervisão do Conselho Estadual de Saúde, que coloca os pacientes na regulação, orienta como devem proceder com exames e até providencia os cuidados preparatórios para a cirurgia e ainda os acompanha na consulta.

A Prefeitura de Aragoiânia aluga vans para levar pacientes para Jaraguá

A agente de saúde Marcela Pereira dos Santos precisava fazer cirurgia para retirada da vesícula e foi informada de que a vaga estava aberta em Jaraguá. Já tentava há mais de um ano a disponibilidade de uma vaga em Goiânia e isso ficava cada vez mais difícil. “Com a ajuda do Conselho tudo ficou mais fácil e hoje já deverei ter a cirurgia marcada”, elogia. Até o prefeito de Aragoiânia, Nauginel Antunes do Prado, agradece a parceria com o Hospital de Jaraguá. “Temos muito a agradecer por esse serviço de grande relevância prestado a nossa população”, fala.

Simone Elias, do Conselho Municipal de Saúde de Aragoiânia

À frente do Conselho Municipal de Saúde está a assistente social Simone Elias, que acompanha pessoalmente os pacientes a Jaraguá para consultas e marcação de cirurgias. Ela considera o que está acontecendo uma verdadeira revolução na forma de prestar assistência à saúde para a população. “Antes precisávamos esperar até dois, três ou cinco anos para conseguir encaixar uma cirurgia como essa de vesícula ou hérnia. Hoje essa espera caiu para no máximo 15 ou 20 dias. É uma grande benção para nós”, frisa.
Os pacientes de Aragoiânia já somam mais de 80 casos de cirurgias no Hospital Estadual de Jaraguá. “O atendimento é excelente, a internação é de referência e todos saem daqui muito satisfeitos. Nossa salvação foi o HEJA implantar esse centro cirúrgico e esse é um modelo de gestão que trouxe solução para todos”, finaliza.

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