Líderes de entidades representativas de oficiais e praças da PM querem realizar prévias para escolha de candidatos com melhores condições eleitorais

Por Hélmiton Prateado

Os militares querem garantir uma inserção na cena política mais qualitativa e igualitária, garantem os líderes de entidades representativas de policiais e bombeiros militares. O assunto foi tema de uma discussão aberta em Goiânia durante congresso da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme) e retomado na segunda-feira em reunião com os comandantes gerais das duas corporações.
Para o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiros militares de Goiás, tenente-coronel Alessandri da Rocha Almeida, o tema é moderno e servirá para aprimorar o modelo político que se discute para o Brasil. “Os militares pretendem contribuir com o progresso do Brasil e com a melhoria das instituições através do processo político. Para isso é necessária uma inserção maior e com qualidade do que pensamos e propomos para nosso país”, frisa.
Alessandri aproveitou a visita do presidente da Feneme a Goiás, coronel Marlon Jorge para retomar a discussão com outras entidades representativas. “Nós, oficiais militares, temos uma preparação muito intensa em temas importantes e contamos com um elemento crucial para a vida política que é um dos pontos basilares em nossa formação: a disciplina. Então, entendemos que podemos contribuir muito com a formulação de propostas que ajudem o Brasil a superar crises e a melhorar a vida de nossa população”.
A visita do presidente da Feneme, coronel Marlon ao comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Divino Alves, foi marcada pela apresentação dessas propostas. Alessandri lembrou que está em discussão no Congresso Nacional assuntos fundamentais para o prosseguimento desse processo de inserção dos militares na política. “Precisamos acelerar a discussão e entrada em vigor de medidas de extrema urgência para nossa participação. A primeira é o fim das punições disciplinares, que inibem muito a abertura de discussões políticas. A segunda é a possibilidade de retorno às fileiras após o término do mandato para o qual algum militar for eleito pelo voto popular”, explicou. A restrição ao fim da carreira militar é um impeditivo para que bons quadros que poderiam participar do processo político se sintam desestimulados a ingressar na seara política.
Na Câmara dos Deputados já tramitou com aprovação a proposta de fim das punições disciplinares para policiais e bombeiros militares. Autores do PLC 148/2015, os deputados Subtenente Gonzaga (PDT-MG) e Jorginho Mello (PR-SC) classificam de “flagrantemente inconstitucionais” os decretos estaduais que amparam as prisões disciplinares. Para eles, trata-se de uma herança do regime ditatorial de 1964-1985.
Conforme os parlamentares, basta uma ordem verbal do superior hierárquico para aplicação de punições “extremamente desumanas e humilhantes” a policiais e bombeiros. Muitas vezes, segundo os dois deputados, a falta disciplinar se resume a um uniforme em desalinho, a uma continência malfeita, a um cabelo em desacordo ou a um atraso ao serviço.
Prévias
Visando dar uma contribuição qualitativa ao processo político os militares de Goiás vão exercitar o princípio democrático de respeito à vontade da maioria. O presidente da Associação dos Sub-tenentes e Sargentos da PM e Bombeiros, sub-tenente Luís Cláudio Coelho explicou que a proposta das entidades representativas dos militares é fazer uma consulta prévia entre os integrantes da ativa e da reserva das duas corporações para verificar quais postulantes apresentam melhor densidade eleitoral.
“Vamos avaliar qual possível candidato tem a melhor proposta, quem tem maior simpatia nos meios militares, quem melhor representa o pensamento e aspirações dos militares e concentrar nossos esforços nos melhores candidatos. Nada de permitir candidaturas que sirvam apenas para vaidade própria ou para satisfazer vontades de grupos. Precisamos ter uma disciplina na orientação política para atingirmos melhor nossos objetivos”, ressaltou.
A ideia da realização das prévias agradam oficiais também. Alessandri concorda e amplia a proposta para definir candidaturas que representem os militares. “Os que conseguirem convencer melhor seus pares dentro das corporações terá melhores condições de conquistar o apoio dos eleitores, por isso queremos discutir com todos e convergir as conversas políticas em nosso meio”, finalizou.

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