Evandro Magal: para o MP ele é líder de uma organização criminosa

Por Hélmiton Prateado

Os juízes do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, (TRE-GO) mantiveram por unanimidade a sentença de primeiro grau e cassaram o mandato do prefeito de Caldas Novas, Evandro Magal (PSDB) e de seu vice-prefeito, Fernando de Oliveira Resende. O fundamento da cassação é “abuso do poder de autoridade e abuso na utilização dos meios de comunicação social”.
A sentença inicial, prolatada pelo juiz eleitoral de Caldas Novas, Thiago da Costa Bentes, foi mantida no fundamento abuso do poder de comunicação e reformada quanto a acusação de superfaturamento. Foi cassada a diplomação de Magal e Fernando e os dois ainda foram condenados à perda dos direitos políticos por oito anos e ficam inelegíveis. O presidente da Câmara Muncipal, vereador Marinho da Câmara, deverá assumir a Prefeitura até a realização de eleições extemporâneas.
O relator, juiz Fabiano Abel de Aragão Fernandes, negou as preliminares alegadas pela defesa de Magal e frisou que havia farto conjunto de provas juntadas nos autos. “Nesse caso há até excesso de provas comprovando que houve campanha aberta de um veículo de comunicação para o candidato Evandro Magal e não apenas informação prestada”, frisou. Ele juntou ao relatório as provas colhidas pelo promotor de Justiça Eleitoral Rafael Machado de Oliveira e considerou que se trata comprovadamente de “conduta vedada” para agentes públicos.

Juiz Fabiano Abel de Aragão: “Existe fartura de provas de abusos cometidos”

Na ação o promotor detalhou como o prefeito cassado Evandro Magal se valeu de verbas da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Caldas Novas para fazer promoção própria e denegrir a imagem de adversários políticos. A investigação remonta a junho de 2016, antes do início da campanha eleitoral quando o promotor e seus assistentes iniciaram um minucioso levantamento das notícias veiculadas no jornal É+ Notícias comparando com os fatos postados no site da Prefeitura relativos às ações do prefeito Evandro Magal, quando era candidato à reeleição. Tudo de Magal era favorável e elogioso e com relação a adversários políticos ou quem não se alinhava a ele era demérito e comprovava verdadeira perseguição.
A promotoria juntou provas de que o jornal É+ Notícias & Classificados, tinha verbas consideráveis da Prefeitura de Caldas Novas e não se acanhava de postar notícias francamente favoráveis ao prefeito cassado Evandro Magal “de forma a destacar uma foto do atual Prefeito ou uma pretensa entrevista para finalizar a matéria”. O relator obsevou que as matérias eram “cópias integrais nas notícias publicadas na página oficial do Município de Caldas Novas”, além de fotos retiradas da página pessoal do prefeito cassado Evandro Magal no aplicativo Facebook serem publicadas no jornal.
Não bastasse a “campanha aberta a favor do candidato Evandro Magal”, lembrou o relator, o referido jornal atacava em suas reportagens o principal oponente de Magal, o sargento Alison Maia (DEM). O juiz de primeiro grau frisou que “infere-se, ainda, que o Jornal É+ Notícias, seguindo a sua linha de apenas enaltecer o representado Evandro Magal, mesmo antes do período de campanha eleitoral, atuou no sentido de denegrir a imagem de qualquer pretenso candidato que pudesse concorrer como Prefeito de Caldas Novas”. Além de notícias negativas o jornal só publicou entrevista com o candidato Alison Maia uma única vez “omitindo-se em relação aos seus demais atos de campanha praticados”.
Carreata
Após a divulgação do julgamento no TRE-GO houve uma carreata pelas ruas de Caldas Novas com a população comemorando a decisão e a possibilidade da sociedade escolher outro prefeito.
Durante a semana um movimento intitulado “Fora Magal” ganhou força na cidade e se disseminou pelas ruas e praças, com camisetas, faixas e cartazes apoiando a cassação do prefeito Evandro Magal.
A reportagem tentou ouvir o prefeito e seu telefone esteve desligado desde o final do julgamento.

 

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